Consulado de Santos ao serviço de quem?

A reestruturação consular, que está a ser levar a cabo pelo Governo PS de José Sócrates, não tem apenas fins económicos. Tem, pelo que se está a ver objectivos muito mais amplos. Se não, vejamos o caso do Consulado de Santos que nesta reestruturação, acaba de passar a Consulado Honorário.

Segundo nos informa jornal “O Mundo Lusíada online” de 2 de Fevereiro passado: “O dia 27 de Janeiro ficará marcado na história luso santista. Com a presença de várias individualidades, de empresários e de autoridades locais, foi inaugurado o Consulado Honorário de Santos” que ficará sob a responsabilidade do multimilionário Arménio Mendes. Entrevistado por aquele jornal paulista, o novo cônsul afirmou que, até à data, não sabia exactamente quais os serviços que iriam ser prestados. “Mas deveria ser um consulado de carreira” – afirmou! – e que iria dispor de quatro (4) funcionários contratados pelo MNE e de um outro titular, da confiança de Arménio Mendes e contratado pelo próprio!!! Compreende-se que tenha contratado alguém da sua confiança, que irá fazer o trabalho do novo cônsul, pois este é um empresário ocupado com os seus investimentos, os seus negócios, os seus interesses em Portugal e no Brasil. Arménio Mendes é dono de um enorme património imobiliário na Baixa de Santos, a cidade turística, portuária e agora petrolífera, do litoral do Estado de São Paulo. É ainda irmão de Emídio Mendes, participando nos seus negócios do “Riviera Group”, com investimentos imobiliários em Coimbra e em Carcavelos, com ligações ao Académica de Coimbra e a outros clubes de futebol. Arménio Mendes é natural da Região de Leiria, foi para o Brasil trabalhar na construção civil, e noutras actividades menos legais como o “jogo do bicho”, e aí fez fortuna. Hoje é conhecido na Comunidade de Santos como “um homem cheio de massa”. Assim sendo, porque é que este homem foi nomeado Cônsul Honorário, pelo Governo PS de José Sócrates? Para melhor funcionamento dos Serviços Externos do Estado Português? Convêm lembrar as grandes manifestações realizadas pelos portugueses de Santos contra o encerramento do Consulado Geral e a sua posterior transformação. Porque o novo consulado irá dispor de melhores serviços, com muito menos pessoal, mais informatizado, com identificação dos “utentes” via satélite para Lisboa, para emissão de bilhetes de identidade e de passaportes? O próprio Arménio Mendes afirmou estar apreensivo pela demora resultante da dependência de várias instituições portuguesas, afirmando que “a resolução dos problemas não dependerão unicamente dos funcionários do consulado”. Porque foi nomeado Cônsul Honorário um homem que é conhecido na Comunidade Portuguesa de Santos como “pouco escrupuloso”? Há contornos pouco claros nesta nomeação que deveriam ser esclarecidos pelo Governo na Assembleia da República. Uma coisa é certa: Arménio Mendes dispõe agora de imunidade diplomática e o Partido Socialista dispõe do apoio de um empresário multimilionário.

Jornal Em Movimento