A Diáspora Portuguesa Continua!

«Não é um mito dizer que “os portugueses continuam a seguir a rota das caravelas” mas já é um mito dizer que é o espírito aventureiro dos portugueses que os empurra para o Mundo. Gil Vicente, nas suas obras, já denunciava o abandono dos campos e a desertificação do país, provocados pelas políticas de acumulação de riqueza dos Nobres, da Igreja e da Coroa Real.»

A ARE realizou um estudo em 2002 sobre as Comunidades Portuguesas no Estrangeiro, tendo contado com o Apoio do Montepio Geral – Caixa Económica. Os resultados vieram confirmar que a diáspora portuguesa continua. Hoje são mais de 5 milhões, os portugueses que emigraram em busca de uma vida melhor. Eles representam 1/3 dos cidadãos de nacionalidade portuguesa.

A ARE actualizou estes dados, o ano passado, através do estudo dos documentos agora disponíveis no Movimento Sindical Português, na Assembleia da República, nos Consulados de Portugal em particular e no Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) em geral. Estes novos documentos confirmam e aprofundam as tendências já verificadas, isto é que os portugueses continuam a emigrar para os países habituais mas também agora para novas paragens. A globalização económica deu origem a uma globalização laboral mundial.

Continua-se a emigrar para França, Suíça, Alemanha, Inglaterra, Luxemburgo, Holanda e Espanha. Continua-se a procurar trabalho e residência fora da Europa, no Brasil, Canadá, Estados Unidos, Venezuela, Argentina, na Austrália e na África do Sul. Os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) – Guiné, Cabo verde, São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique – bem como também Macau (China) Timor (Oceânia) ou Goa (Índia) continuam a ser procurados pelos portugueses, havendo actualmente uma nova categoria de emigrantes: os cooperantes, que vão trabalhar para estes países, ao abrigo de acordos entre Portugal e as Ex-colónias.

Segundo os dados disponíveis pelos Consulados de Portugal há 1.649.313 portugueses na Europa, 164.442 na Ásia, 385.541 em África, 1.832.243 na América do Norte, 1.124.098 na América do Sul, 16.504 na Oceânia. Analisando agora os dados obtidos pelo estudo da ARE, verificamos que 50% dos portugueses estão emigrados há 20 anos ou mais, 33% há mais de 10 anos, 7% há mais de 5 anos, 10% há menos de 5 anos, o que confirma a nova vaga de emigração entre 2002 e 2008 (intervalo do nosso estudo). As regiões de origem da diáspora são em 1º lugar a Área Metropolitana de Lisboa, com 45%. Um estudo de pormenor revelar-nos-ia certamente que os portugueses se deslocam de Norte a Sul do país, primeiro para a zona do Vale do Tejo, seguindo depois para outros destinos fora do país. Do Norte e Centro de Portugal saíram 39%, dos Açores e da Madeira saíram 9%, do Alentejo e do Algarve 5% e de África (principalmente Angola) 2%.

Não é um mito dizer que “os portugueses continuam a seguir a rota das caravelas” mas já é um mito dizer que é o espírito aventureiro dos portugueses que os empurra para o Mundo. Gil Vicente, nas suas obras, já denunciava o abandono dos campos e a desertificação do país, provocados pelas políticas de acumulação de riqueza da Coroa Real, da Nobreza e da Igreja.

O nosso estudo revela ainda que 73% dos portugueses têm casa em Portugal, a maioria na sua terra natal ou região de origem, que 70% pensa regressar definitivamente, que 28% vêm a Portugal 2 vezes por ano, 43% vêm uma vez por ano, 20% vêm ao nosso país de vez em quando e que 9% não voltaram ou já não voltam. Das questões que mais preocupam os emigrantes portugueses, vem em primeiro lugar o desejo de um melhor ensino e divulgação da língua e cultura portuguesas, seguido da necessidade de melhores e mais completos serviços consulares, de reformas mais adequadas e mais justas e de, entre várias outras, medidas de apoio ao regresso.

Os portugueses continuam a emigrar mas não esquecem a sua terra. Lutam por uma vida melhor, querem que ver reconhecidas a sua cultura e língua milenares, motivo da sua própria dignidade, e sonham sempre em regressar para aqui acabarem os seus dias.