Nota Informativa
30 de Março-2004

Portugueses regressados da Suíça
espoliados de assistência médica do SNS
voltam a manifestar-se junto do Ministério da Saúde
de 5 a 8 de Abril
(entre as 11 e as 13 horas)

Vários milhares de portugueses (mais de 6 mil) que regressaram da Suíça (pensionistas), continuando a sentir-se discriminados por lhes ter sido retirado o direito à assistência médica (SNS) a não ser que tenham um seguro de doença em companhias suíças, reiteram os seus protestos junto do Governo que continua mudo e quedo face ao problema com que são confrontados.

A próxima etapa desta luta vai passar por uma presença diária junto do Ministério da Saúde em Lisboa já na próxima semana. Do dia 5 ao dia 8 de Abril (entre as 11 e as 13 horas), delegações destes portugueses (ex-emigrantes na Suíça) residentes em vários pontos de Portugal, vão concentrar-se em frente ao edifício onde funciona o Gabinete do Ministro da Saúde, na Av. João Crisóstomo (ao Saldanha) em Lisboa, reclamando que lhes seja transmitida uma resposta concreta e clara quanto ao seu direito à assistência médica em plano de igualdade com todos os portugueses sem estarem dependentes dos caríssimos seguros da Suíça. O calendário destas presenças junto do Ministério da Saúde está assim distribuído:
  5 de Abril, 2.ª feira - Residentes nos Distritos de Santarém e Leiria
  6 de Abril,
3.ª feira - Residentes nos Distritos do Alentejo
  7 de Abril,
4.ª feira - Residentes no Distrito de Coimbra, e outros do Centro e Norte
  8 de Abril,
5.ª feira - Residentes nos Distritos de Lisboa e Setúbal

Estes cidadãos portugueses, nestas concentrações, irão reclamar um direito que se entende ser constituinte essencial do Estado de Direito que é suposto vigorar em Portugal, a saber: o direito de resposta aos sucessivos questionamentos que vêm colocando a todos os órgãos competentes do poder político, para além da questão de fundo que é o seu direito à saúde.

Com efeito, desde há meses a esta parte, estes cidadãos (que já regressaram da emigração na Suíça nalguns casos há mais de 15 anos) apoiados pela Associação de Reencontro dos Emigrantes vêm colocando aos diferentes Órgãos de Soberania (Governo, Assembleia da República e Presidente da República) as suas reclamações, sem que, até ao momento tenham obtido uma resposta concreta e esclarecedora da sua situação relativamente ao direito de acesso ao SNS que entendem abrangê-los de acordo com os preceitos Constitucionais.

Desculpas com “a legislação europeia” ou com o acordo entre a União Europeia e a Suíça não nos convencem. Não aceitamos que uma qualquer decisão de um “comité misto composto por eurocratas que não elegemos e que não nos perguntou nada a este respeito”, venha sobrepor-se aos direitos que os portugueses têm consignados na Constituição da República.

Declarações de governantes neste sentido, só poderão revelar, a nosso ver, a completa inutilidade dos cargos governamentais em que se encontram investidos. Ou será que os governantes que elegemos nas nossas eleições nacionais já não servem para nada? Se os governantes portugueses já não servem para defender os interesses dos cidadãos portugueses, seja no âmbito da União Europeia ou noutro âmbito internacional mais vasto, então, tenham a hombridade de se demitir e poupar aos contribuintes o encargo de pagar as suas prebendas.

A luta destes portugueses regressados (ex-emigrantes na Suíça) já passou, desde há vários meses (finais de 2003) por cartas aos Ministros da Saúde e da Segurança Social e Trabalho, bem como ao Primeiro Ministro e ao Presidente da República, até hoje sem uma resposta concludente, para além do mero floreado diplomático. Passou também por uma concentração junto da Assembleia da República em 12 de Fevereiro passado, onde foram recebidos na Comissão Parlamentar de Assuntos Sociais e Trabalho que se comprometeu a elaborar um relatório. A 12 de Março, foram ao Ministério da Saúde, onde se avistaram com uma Adjunta do Gabinete do Ministro, e foram também aos Governos Civis em vários Distritos. Por último, foi apresentada queixa ao Provedor de Justiça no passado dia 19 de Março. Na próxima semana, cumprem mais uma etapa.

Refira-se ainda que, também na Suíça, por iniciativa do Sindicato da Indústria e Construção (GBI/SIB), vai iniciar-se um processo de recolha de assinaturas para uma Petição a apresentar aos Órgãos de Soberania em Portugal.

 A Direcção da ARE


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