Nota Informativa
8 de Abril-2004

Antigos emigrantes na Suíça concluíram
semana de protesto pelo direito de
acesso ao Serviço Nacional de Saúde

Os antigos emigrantes portugueses na Suíça - mais de 6 mil pensionistas - regressados daquele país há vários anos, continuam a manifestar o seu protesto por lhes ter sido retirado o direito à assistência médica (SNS) a não ser que tenham um seguro de doença em companhias privadas suíças cujo preço é três vezes maior que o praticado em Portugal e, nalguns casos, pode mesmo vir a ser de valor superior ao que recebem de pensão de invalidez ou velhice.

No seguimento de outras iniciativas, delegações destes portugueses cumpriram esta semana uma jornada de protesto que consistiu numa concentração junto do Ministério da Saúde em Lisboa, desde a passada segunda-feira até hoje.

Como única novidade, foi recebido um telefonema da Adjunta do Gabinete do Ministro da Saúde, Drª Ana Paula Cabral para nos comunicar que “o Senhor Ministro está preocupado com este assunto e irá tomar uma decisão a breve trecho”, não especificando qual a decisão nem a forma de que se revestirá. Registaremos com agrado qualquer evolução que se verifique no sentido de assegurar que os serviços de saúde não discriminem nenhum destes portugueses. Todavia, o problema está longe de estar resolvido, dada a manifesta insensibilidade que vem sendo manifestada por este Ministério (e seu titular) que revela um total desconhecimento da situação em que viviam e vivem milhares de pensionistas (antigos emigrantes já regressados) e que levou à alteração do Acordo entre a União Europeia e a Suíça que tantos prejuízos já causou a estes portugueses.

Hoje mesmo tivemos acesso a uma informação enviada ao Provedor de Justiça pela Secretária de Estado da Segurança Social, Teresa Caeiro, onde fica clara a responsabilidade do Ministério da Saúde em todo este processo. Diz essa informação que, no âmbito dos trabalhos preparatórios para a Decisão do Comité-Misto EU/Suíça de 15 de Julho de 2003 (a que criou todo este imbróglio) “foi suscitada a intervenção do Ministério da Saúde... que se manifestou, em definitivo, no sentido de retirar a referência a Portugal da lista dos Estados que concediam a possibilidade de isenção da obrigação de inscrição no regime suíço de seguro de doença.”

Fica assim claro que foram razões economicistas e grande insensibilidade social por parte do Governo português que estiveram na base desta decisão que cabe por inteiro ao Ministério da Saúde e ao seu titular, e não quaisquer “imposições da legislação europeia” como alguns governantes nos pretendem fazer crer. Aliás, o próprio Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, que seria suposto estar do lado dos interesses dos emigrantes portugueses (dos que estão lá fora e dos que já regressaram) foi dos que mais se expôs na defesa dessa tese, mais parecendo estar do lado das companhias seguradoras suíças (está escrito numa noticia da Lusa e no jornal Gazeta Lusófona de Novembro passado). Com posições dessas, começámos também a compreender melhor a completa inutilidade da existência de um cargo como o de Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.

Se bem que se comece a vislumbrar uma luz no fundo do túnel, enquanto esta situação não estiver resolvida e estes portugueses deixarem de ser assediados pelas seguradoras da Suíça, não poderemos deixar de manter a pressão e desenvolver as diligências que forem necessárias. Continuamos a recolher assinaturas para uma Petição a entregar na Assembleia da República e também na Suíça está a ser subscrito um documento idêntico por iniciativa do Sindicato da Indústria e Construção (GBI/SIB). Aguarda-se também informação sobre a queixa apresentada a 19 de Março ao Provedor de Justiça. Na próxima semana, a Direcção da Associação vai reunir-se e decidirá dos próximos passos a dar em defesa da causa destes emigrantes regressados.

 A Direcção da ARE


ARE    Av. António José de Almeida, 22   *   1000-043 LISBOA   *   emigrantes@clix.pt   *   www.emigrantes.org